O general está pintando quadros com sangue
e moinhos de vento
enquanto prescreve velhas metáforas
nas linhas tortas que a terra molhada de urina
bestial.
O general está perdido em sonhos napoleônicos
enquanto arrasta sua farda de jornal e sacos de farinha
pelos garimpos do nióbio messiânico
em pleno carnaval.
O general está esgotando nossas palavras
com sua desconexa retórica
sobre dragão reencarnado como um Jorge da Capadócia
canibal.
O general está – e a repetição dessa fórmula é a própria essência do ato
cirurgicamente executado sob as frias luzes de flashes
da pretensa imprensa isenta e
da artificia intelligentsia inquieta
no jardim de Belial.
Lucas Grosso é professor e escritor de São Paulo com Mestrado pela Puc-Sp em Literatura, pós-graduação pela FAAP em Escrita Criativa. É autor de 5 livros individuais de poesia, com contos e poemas publicados em diversas revistas digitais. Assina o newsletter https://lucasgrosso.substack.com/
