Subversa

Uma face de Aurora | Giovane Adriano dos Santos


Fotografia nossa.


Aurora ama o verso livre, mas fora educada
ao rigor formal e tentou criar um soneto:

“Querido, a tez que o Douro beija agora,
suponho, está vincada e é de espanto.
‘Em quais das bandas destas águas mora
aquela que ao rio junta o pranto?’
Indagas muito pela rua afora,
andando…”

Não o transcrevo todo, porque ela
proíbe. Enviando-me essas palavras, não
perdes tu mesma a chance de confessá-las
aos tecidos azuis de que és feita?

Não havia calendários, as mãos clamaram por beleza
e tingiram animais feridos nas paredes
da caverna: Aurora quem mandara,
sem permitir questionamentos.


GIOVANE ADRIANO DOS SANTOS é de Morro do Ferro, MG. Publica na Revista Subversa no quinto dia de cada mês.

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