Subversa

Editorial Vol. 10 | n.º 2 | fevereiro de 2019


“Não se pode catequizar o estranho”

Leopold Nosek

 

Os textos deste número, cada um a seu modo, traz explícita a presença de um ponto muito difícil e fascinante na literatura: a tendência do texto escapar de quem o escreve. Epifanias, acrobacias, saltos e estilhaços mostram o lado que só os escritores conseguem apanhar por completo. A andança atrás do texto como se estivesse em causa a integridade da alma e do corpo é vivido no instante do choque. Diante do papel, quantas vezes o artista se joga no abismo como recurso para confortar a queda?

É nosso papel, assim como é papel de várias partes da ordem social, apanhar os artistas em seus mais variados gestos de entrega. De uma revista, só pode-se esperar que esteja de braços abertos. Dos leitores – todos somos! – espera-se o olhar lançado ao artista com a mesma paciência que vê os seus próprios monstros, enigmas, estranhezas… Catequizar o estranho, em si mesmo, é esterilizar o humano e estrangular a criatividade. Quem dirá na arte. A censura – muito mais vil que uma obra – é a própria queda sem conforto algum. É o impacto na destruição e a sombra do vazio.

Diante da arte, ainda podemos voar sem cair. Matar sem violentar e nascer em qualquer tempo. Estamos sempre na atualidade.

Esperamos que gostem da leitura. Abraços,

As editoras


Ilustração de capa: Günter Pusch (Landshut, Alemanha – Milão, Itália)


Clique nos textos para ler:

ALEXANDRA TORRES | Salto

ANDRÉ GUILHERME ALMEIDA  | Estilhaços

DANIELLA GUIMARÃES DE ARAÚJO | A viscosidade dos peixes

DAVID  BARRETO COUTINHO | Horácio

 FERNANDO ALVES MEDEIROS |Pombos

KAUANA GONÇALVEZ |Epifania

MARDSON SOARES |Aldebarã

MILTON REZENDE |Acrobata

PAULO VICENTE CRUZ |Gigantes

VALDIR CESAR CONEJO JÚNIOR | Sonho de mãe

 

 

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